Guia · Daltonismo
Tipos de daltonismo: protan, deutan, tritan e acromatopsia
Daltonismo, ou deficiência de visão de cores, é a dificuldade de distinguir certas cores por ausência ou alteração de um dos três tipos de cone da retina. Os tipos principais são protan (cone do vermelho), deutan (cone do verde) e tritan (cone do azul). Protan e deutan formam o daltonismo vermelho-verde, que responde pela grande maioria dos casos.[1][2]
Conteúdo educativo e independente · Atualizado em outubro de 2026 · Revisão técnica: [nome do oftalmologista, CRM]
Em resumo
- Três tipos principais: protan, deutan e tritan. A acromatopsia, em que não há percepção de cores, é rara.
- Dois graus: dicromacia (cone ausente, dificuldade maior) e tricromacia anômala (cone alterado, de leve a forte).
- Frequência: deutan é o mais comum (cerca de 6% dos homens); protan, cerca de 2%; tritan, cerca de 1 em 10 mil pessoas.[1][4][5]
- Origem: na maioria dos casos é hereditária, ligada ao cromossomo X, e por isso afeta mais homens. Não tem cura.[4]
Neste guia
Daltonismo em números
≈ 8%
dos homens de ascendência europeia têm daltonismo vermelho-verde[1]
1 em 10 mil
pessoas têm tritan, o tipo azul-amarelo[4]
Estudos de diferentes populações variam entre 6% e 10% dos homens e 0,4% a 0,7% das mulheres.[3] No Brasil não há levantamento nacional de prevalência: uma análise de dados do SUS de 2019 a 2023 contou 26.374 testes de Ishihara em crianças de 5 a 10 anos, mas registra procedimentos realizados, não casos confirmados.[3]
Como a visão de cores funciona
A retina tem três tipos de cone, sensíveis a faixas diferentes da luz: L (comprimentos longos, associado ao vermelho), M (médios, verde) e S (curtos, azul). O cérebro compara o sinal dos três para formar cada cor.
No daltonismo, um desses cones está ausente, não funciona ou responde a uma faixa diferente do normal. Com um cone alterado a dificuldade tende a ser leve; com todos ausentes, a forma mais grave, a visão é em tons de cinza.[2]

Comparativo dos tipos
| Tipo | Cone afetado | Principal dificuldade | Frequência em homens | Herança |
|---|---|---|---|---|
| Protan | L (vermelho) | Vermelho e verde; vermelhos parecem mais escuros | ≈ 2% | Ligada ao X |
| Deutan | M (verde) | Vermelho, verde, marrom e laranja se confundem | ≈ 6% | Ligada ao X |
| Tritan | S (azul) | Azul e verde; amarelo e rosa | ≈ 1 em 10 mil | Autossômica dominante |
| Acromatopsia | Cones (todos) | Visão em tons de cinza, sensibilidade à luz | Muito rara | Autossômica recessiva |
Dicromacia e anomalia. Nomes terminados em -opia (protanopia, deuteranopia, tritanopia) indicam um cone ausente. Nomes terminados em -omalia (protanomalia, deuteranomalia, tritanomalia) indicam um cone alterado. A forma anômala é mais comum e costuma ser mais leve.[5]
Protan: cone do vermelho (L)
Na protanopia o cone L está ausente; na protanomalia, alterado. Vermelhos perdem brilho e tendem a parecer mais escuros, e a distinção entre vermelho, verde, marrom e laranja fica difícil.[2][5]
- Frequência: cerca de 2% dos homens.
- Pode parecer: vermelho como marrom escuro ou quase preto.
- Situações comuns: gráficos em vermelho e verde, luzes de sinalização, identificação de carnes e frutas.

Deutan: cone do verde (M)
É o tipo mais comum. Na deuteranopia o cone M está ausente; na deuteranomalia, alterado. O brilho do vermelho é preservado, mas verdes, vermelhos, marrons e laranjas se confundem, e roxos podem parecer azuis.[2][5]
- Frequência: cerca de 6% dos homens, sendo a deuteranomalia a forma dominante.
- Pode parecer: verde-claro como bege ou cinza.
- Situações comuns: mapas, tabelas com código de cor, roupas combinadas.

Tritan: cone do azul (S)
Raro e não ligado ao sexo: afeta homens e mulheres na mesma proporção.[4] Azul e verde se confundem, assim como amarelo e rosa ou violeta.
- Frequência: cerca de 1 em 10 mil pessoas.
- Pode parecer: azul como verde; amarelo como cinza claro.
- Atenção: pode também ser adquirido, por doenças oculares ou medicamentos. Vale avaliação oftalmológica.[2]

Acromatopsia: ausência de cores
Forma rara e diferente das demais: os cones não funcionam, e a visão é em tons de cinza. Costuma vir com sensibilidade intensa à luz e baixa acuidade visual.[2]
- Frequência: muito rara; é a forma mais grave.
- Diferença: daltonismo comum não é enxergar em preto e branco.
- Acompanhamento: exige avaliação oftalmológica especializada.
Daltonismo não é enxergar em preto e branco. Na grande maioria dos casos, a pessoa vê cores, mas confunde algumas delas.
Ponto-chave do guia
Por que afeta mais homens
Os genes dos cones L e M (OPN1LW e OPN1MW) ficam no cromossomo X. Homens têm um X e, se ele carrega a alteração, a condição aparece. Mulheres têm dois, e a condição só aparece se ambos forem alterados; com apenas um, a mulher é portadora e pode transmitir.[4]
- Filho homem de mãe portadora: cerca de 50% de chance de ser daltônico.
- Filha de pai daltônico: portadora, e daltônica apenas se a mãe também transmitir a alteração.
- Tritan e acromatopsia não seguem esse padrão, pois os genes não estão no X.
Daltonismo adquirido
Fora a origem genética, a visão de cores pode mudar por doenças oculares (como glaucoma, catarata e degeneração macular), diabetes, lesões, envelhecimento e alguns medicamentos. Mudança perceptível e recente na percepção de cores deve ser avaliada por oftalmologista, pois pode sinalizar outra condição.[2]
Como saber o tipo
O diagnóstico e a classificação são feitos por oftalmologista, normalmente com três recursos:
- Placas pseudoisocromáticas (como o Ishihara): identificam a presença de daltonismo vermelho-verde.
- Teste de ordenação de cores (Farnsworth D-15): ajuda a separar protan, deutan e tritan.
- Anomaloscópio: mede o tipo e o grau com mais precisão.
Quer uma triagem rápida? O teste online do portal usa 13 placas, leva cerca de 3 minutos e indica uma pista do tipo. É uma triagem educativa, não um diagnóstico.
Existe correção?
Não há cura para o daltonismo hereditário, que é permanente. Existem recursos de apoio: aplicativos e ferramentas de cor, adaptações em materiais e interfaces, e lentes ou óculos com filtro.
Sobre os óculos, um estudo de 2018 avaliou lentes com filtro em pessoas com daltonismo vermelho-verde e não encontrou melhora relevante em testes padronizados de visão de cores, embora algumas cores mudem de aparência.[6] A experiência varia de pessoa para pessoa, e o ideal é testar antes de comprar e conversar com um oftalmologista.
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de daltonismo?
Os principais são protan (cone do vermelho), deutan (cone do verde) e tritan (cone do azul). Há ainda a acromatopsia, rara, em que não há percepção de cores. Cada tipo pode ocorrer como dicromacia (cone ausente) ou tricromacia anômala (cone alterado).
Qual é o tipo de daltonismo mais comum?
O deutan, em especial a deuteranomalia. Estima-se que atinja cerca de 6% dos homens, contra cerca de 2% do tipo protan.
Daltonismo é só confundir vermelho e verde?
Não. Essa é a forma mais comum, mas existe o tritan, que afeta azul e amarelo, e a acromatopsia, que afeta todas as cores. A maioria dos daltônicos vê cores, mas confunde algumas.
Mulheres podem ser daltônicas?
Podem, mas é menos frequente: cerca de 0,5% no tipo vermelho-verde, porque é preciso que as duas cópias do gene no cromossomo X estejam alteradas. Tritan e acromatopsia afetam homens e mulheres igualmente.
Daltonismo tem cura?
Não, no caso hereditário. Há recursos de apoio, como aplicativos, adaptações de cor e lentes com filtro, cujo efeito varia de pessoa para pessoa.
Como descobrir qual é o meu tipo?
Com exame oftalmológico. Um teste online serve como triagem e pode dar uma pista, mas não confirma o tipo nem o grau.
Referências
- Birch J. Worldwide prevalence of red-green color deficiency. J Opt Soc Am A. 2012;29(3):313-320. doi:10.1364/JOSAA.29.000313
- American Academy of Ophthalmology. What is color blindness?
- Ávila CO et al. Perfil de avaliação da acuidade visual e de discromatopsias em crianças em idade escolar no Brasil. Rev Bras Oftalmol. 2024;83:e0070. PDF
- MedlinePlus Genetics. Color vision deficiency.
- Colblindor. Types of color blindness (estimativas por tipo; a página não informa a fonte primária).
- Gómez-Robledo L et al. Do EnChroma glasses improve color vision for colorblind subjects? Opt Express. 2018;26(22):28693-28703. doi:10.1364/OE.26.028693
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um oftalmologista.
Por onde começar
O portal foi pensado para quem tem daltonismo e também para quem se importa com alguém que tem.
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